A ARTE DA VIDA

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

PENHOAR CHINES - A GENEALOGIA FEMININA


Amizades são as relações mais ricas de uma existência!

Na minha por exemplo elas sempre foram muito importantes, e tenho observado que suprem-me da necessária intimidade, que pelas contingências da vida, não tive com  meus entes mais queridos: minha mãe Lygia e irmãs: Kênia e Kelly, já falecida!

Desde muito cedo, com apenas quinze anos sai de São Paulo e vim morar em Belém do Pará!Longe de minha mãe e irmãs, tive entretanto, muito amor de minha avó e tias, pois era  a mais velha da terceira geração!Ana Maria, a tia mais nova, da minha idade, mamamos no mesmo peito da avó -mãe, Zenaide;  Fernanda a segunda mãe que me acolheu como tal, quando vim para Belém, suprindo-me das mais urgentes e femininas necessidades; Marília, a tia maluquinha, cheia das idéias e postura libertária; Marina a doce e serena tia, doceira de mão cheia e minha gerente na loja de moda feminina -Katusha-que abri na década de 80 e Maria Augusta a tia mais velha e a própria independência encarnada

No seio desta segunda  família em que as mulheres eram mais expressivas quantitativa e qualitativamente, passei minha adolescência, de onde só sai para me casar com apenas 18 anos!

A partir daí fui construindo meu círculo de relacionamentos, de muita amizade, com quem tive a oportunidade de estreitar meus laços: Fatima Barreiro (hoje  médica) e Fátima (jornalista) colegas e amigas do Colégio Santa Catarina;  Marlene e Ivone Abdelnor, irmãs,  e Lisieux, colegas e amigas do Colégio Santo Antônio; Marli Azevedo  e Carmem do Colégio Paes de Carvalho; Cleomarina, querida amiga, que me acompanha desde os cuidados com a primeira filha (Alessandra)  e Bazinha da Faculdade de Economia; Avelina Hesketh, minha querida cumadre, responsável pela minha decisão de parir a 4ª filha e colega da pós -graduação; Lucia Penedo minha amiga irmã da Associação de Mulheres de Negócios; Eliana Titan e Áurea Heliete amigas da CODEM; Carmem Pereira da Prodepa; Zenaide Marques, Rosa Campos, Carmem Andrade , amigas queridas de profissão e da vida; e ultimamente, um amoroso círculo de amizades da internet , nas quais se incluem a querida irmã -Gláucia Goés do Espírito Santo; Eliana (Malatri) de São Paulo; Desirée ( Curitiba)  e Rosa Helena- a Rosaestilosa, que me inspirou a escrever este texto!

Nos conhecemos a aproximadamente um ano, através do flickr e gostei dela assim de pronto! Mulher inteligente, sensível e amorosa, logo me cativou e com ela  tenho feito descobertas incríveis, que vão desde as técnicas de artesanato (patchwork), a literatura, ao bordado e a expectativa de uma aposentadoria, por tantos anos servindo a sociedade, que agora queremos servir a nós mesmas, naquilo que muito apreciamos: as artes!

Temos aprofundado em tão pouco tempo nossos interesses comuns ...e nossa leitura da vida... e como tem sido bom, passarmos os poucos minutos que passamos juntas, trocando estas impressões!

Através dela, li o livro Tenda Vermelha, que me fez compreender como na história da humanidade, as mulheres ocupam um lugar à sombra. Este papel até na Bíblia, livro que vai até o tempo mais antigo dos registros sistematizados do Homem, as mulheres ficam a sombra e então ficamos privados até hoje de sua sensibilidade na descrição dos acontecimentos! Numa narrativa envolvente, Anita Diamant resgata esse olhar feminino e dá vida as personagens bíblicas, recriando o ambiente em que viveram  seu cotidiano, suas provações e suas paixões. Dinah, filha de Jacó e Lia é a figura central da trama, que começa com a história das quatro esposas de Jacó a quem ela chama de "mães": Lia, Raquel, Zilah e Bilah. O amor delas e o legado que lhe transmitem servem de apoio durante a fase de trabalho duro da juventude, no ofício de parteira e na vida nova em uma terra estrangeira. À medida que cresce, Dinah observa tudo  o que se passa no deserto- as conquistas, a rivalidade entre os irmãos, a sensualidade intuída, a aspereza do relacionamento entre os homens, a complexidade dos sentimentos das mulheres, a construção de um povo descrita a partir da saga de um núcleo familiar. De expectadora , ela passa a protagonista,e são seus amores, medos, descobertas e perdas que vão sendo na narrados no cenário mais amplo de um mundo bíblico de caravanas, pastores, agricultores, príncipes , escravos e artesãos. O livro é muito, muito bom, não deixem de ler!

Ainda através dela conheci a Jacirema, a querida Jaci, psicóloga, psicoterapeuta e artista de mão cheia na arte de bordar, que virá a Belém, de 14 a 18 de março, para um whorshop denominando Bordando Memórias.Através de riscos de mandala, ela iniciará ou aperfeiçoará as interessadas em aprender a bordar, ao mesmo tempo que criará um espaço de silêncio interior,  para que através do bordado, a arte da vida de cada uma  seja registrada.


E agora por indicação da Jaci, me remete ao mundo do livro : O penhoar chinês, um dos de Rachel Jardim, que nos remete a uma história de filha, que através de um bordado de sua mãe, tece os contornos de uma trajetória crítica e reflexiva sobre os problemas, sociais , filosóficos e  existenciais, até os mais corriqueiros, pela ótica feminina.

O bordado na literatura feminina, que comentarei no próximo post , parece querer retomar o modelo feminino e demonstrar que a mulher possui muitos instrumentos, para a seu modo, transformar o mundo!



Obrigada querida Rosa, por tanta coisa boa, que em tão pouco tempo, conseguimos compartilhar!




3 comentários:

JACIREMA CLEIA FERREIRA disse...

Querida Kátia: Parabéns pela maravilhosa iniciativa. Para celebrar, segue uma frase da psicanalista Clarissa Pinkola Estés, extraída do livro "Ciranda das Mulheres Sábias":

"Uma mulher é como uma árvore gigantesca que, por sua capacidade de se mover ao invéz de permanecer estática, pode sobreviver às piores tempestades e perigos; e ainda estar de pé depois; ainda descobrir seu jeito de voltar a balançar, ainda continuar a dança". Beijus no coração JACI

A Arte da Vida disse...

Estou muito feliz de ter você aqui comigo Jaci!
Tenho apenas irmãs e filhas, e o assunto da história da história das mulheres tem despertado meu interesse desde a década de 90.
Na BPW-Business Professional Womem, movimento internacional de valorização da mulher profissional ,do qual participei da direção nacional e local, desenvolvi um Projeto que denominamos ESCOLA POLÍTICA E ECONÔMICA PARA MULHERES, onde capacitamos mais de 100 mulheres para a compreensão de seu papel político, no sentido mais amplo ( participação, responsabilidade, poder e decisões sociais).
Por isso fico feliz novamente de ter encontrado com você e Rosa e retomar o foco da genealogia feminina, agora retornando ao resgate de sua feminilidade, através das artes. Direi que precisei na década de 90, enxergar e trabalhar o meu lado masculino e o das outras mulheres, que timidamente se percebiam em condições de utilizar sua razão e objetividade para resolver as questões sociais, transgredindo o seu histórico papel de dona do lar ou o mais recente, na época, de "mulheres maravilhas", mulheres libertárias que precisavam incorporar a sua faina diária no lar , o mundo profissional.
Obrigada queridas amigas

rosaestilosa disse...

Oi Querida,
Que maravilha seu blog. Textos e dicas fantásticas. Fiquei feliz e muito emocionada com o comentário sobre o Penhoir Chinês e seu depoimento sobre nossa amizade me encheu de alegria. ^Sinto-me privilegiada em tê-la como amiga e você não imagina o quanto é prazeroso e importante poder contar com você para partilhar e compartyilhar emoções, experiências de vida e afeto.
Te adoro.
Bjs no coração,
Rosa Helena